Estudo sobre o termo Elokim
Estudo sobre o termo אלקים Elokim
Tradução livre da Obra O Guia dos Perplexos de Rabi Moshe, filho de Rabi Maimom זצק""ל
Anos atrás, instrui um homem que propôs a mim um desafio, uma curiosa objeção. Será útil para nós, considerar esta objeção e nossa resposta invalidando-a. Entretanto, antes de mencionar esta objeção e sua invalidação; eu desejo declarar o seguinte:
Todo hebreu sabe que o termo “Elokim” é ambíguo, designando tanto a Divindade, aos anjos, assim como aos governantes das cidades. Onkelos, o convertido – que a paz esteja sobre ele – deixou isso bem claro [há muito tempo]; e sua explicação [sobre isto] está correta; isto é, que a declaração da Escritura “e sereis como D’us [Elokim], sabendo o bem e o mal” {Bereshit 3:5} deve ser compreendida de acordo com a tradução [da Torá] que ele fez [do Hebraico para o Aramaico, no qual ele colocou], “e sereis como Governantes...”.
Além do mais, havendo estabelecido [o significado deste termo] de forma inequívoca, nós começaremos a expor sua objeção. Foi isto que o objetor disse:
É manifesto pelo sentido claro do texto bíblico que o propósito primário com relação ao homem, é que ele deveria ser, tal como os demais animais são; sem intelecto, sem raciocínio e sem a capacidade de distinguir entre o bem e o mal. Entretanto, quando ele desobedeceu, sua desobediência proporcionou-lhe tal como uma conseqüência necessária à grande perfeição que lhe era peculiar, isto é; seu ser possuindo a capacidade que nós temos que fazer distinções. Agora, esta capacidade é a mais nobre das características existentes em nós, e em virtude disto é que somos constituídos com tal substância. Agora, isto é algo que nos surpreende – que a punição do homem por sua desobediência consistisse de que seu ser fosse agraciado de uma perfeição que ele não possuía antes; isto é, o intelecto! – Pois, isto se assemelha a história contada por alguém, sobre um certo homem dentre o povo que desobedeceu as leis e cometeu grandes crimes, e como conseqüência disto, ele sofreu uma metamorfose e tornou-se um astro no céu.
Este foi o sentido e o significado da objeção proposta, apesar de não ser “textualmente” como eu coloquei aqui.
Ouça agora, o sentido da nossa resposta. Dissemos:
Oh, tu que te envolves em especulações e teorias, fazendo uso das primeiras noções que lhe ocorrem, e dos primeiros pensamentos que lhe sobrevém - tu que, além disso; consideras um livro que é o guia do primeiro e do último homem, e enquanto o contempla, tu [o fazes com a mesma dedicação com que] contemplarias trabalhos históricos ou porções de poesia – quando então, nos seus momentos de ociosidade, deixas a bebida e a busca da sensualidade: reservando-se e refletindo sobre coisas que não fazem parte constante do teu pensamento, e tu; seguindo as primeiras noções inexperientes que lhe ocorrem; embora procure ser claro em suas reflexões por meio da tua palavra imagina conhecer aquilo que não conheces.
O intelecto que D’us fez fluir sobre o homem, que consiste na sua máxima perfeição; é aquela que Adam havia recebido antes da sua desobediência. E foi somente por isso, que foi dito em relação a ele, que ele fora criado “a Imagem e Semelhança da Divindade”.
E da mesma maneira, foi devido a esta verdade, que ele foi objeto da comunicação Divina, ordenando-lhe Mandamentos, como está dito, “E o ETERNO D’us [Elokim] ordenou ao homem dizendo...” {Bereshit 2:16}.
Isto porque “mandamentos” não são dados à animais e feras, que não possuem intelecto.
Por meio do intelecto, a pessoa distingue entre a verdade e a mentira, e isto já fazia parte [de Adam] na sua perfeição e integridade. Bem e Mal, por outro lado; pertence a categorias de coisas geralmente aceitas como conhecidas, e não àquelas reconhecidas pelo intelecto.
Pois uma pessoa não diz – por exemplo - que é Bom que a atmosfera seja esférica, e que é Mau que a Terra seja plana; ao invés disto, a pessoa diz que uma coisa é verdade e outra é mentira, com relação a estas definições. Similarmente, a pessoa expressa em nosso idioma [hebraico] as noções de verdade e mentira com os termos אמת Emét, e שקר Shéker; e àqueles de bem e mal com os termos טוב Tôv, e רע Ráh.
Agora, o ser humano, pela virtude do seu intelecto, conhece o verdadeiro do falso; e esta é uma noção correta com relação a todas as coisas inteligíveis. De acordo com isso então, sua possessão de cognições intelectuais é inerente ao seu ser – pois é a respeito disto que está dito, “Entretanto, pouco menos que os anjos [elokim] o fizeste...” {Tehilim 8:6} – ele não possuía nenhuma faculdade que houvesse sido envolvida de quaisquer formas, na consideração das coisas geralmente aceitas, e [por isso] ele não as compreendia.
Portanto, dentre estas coisas geralmente aceitas, mesmo aquelas que são mais caracteristicamente más, tipo descobrir as genitálias, não eram más para ele; e ele não compreendia que eram más. Entretanto, quando ele desobedeceu e se inclinou pelos seus desejos por coisas que imaginou, e por prazeres para seus sentidos físicos – considerando o que está dito, “... que a árvore era boa para comer, desejável para os olhos...” {Bereshit 3:6} – ele foi punido, por ser privado daquela compreensão intelectual.
Ele, portanto, desobedeceu ao Mandamento que lhe havia sido declarado por causa do seu intelecto, e tornou-se favorecido com a faculdade de compreensão das coisas geralmente aceitas; sendo limitando em seu julgamento do que seria Bom ou Mal.
Então, ele compreendeu quão grande foi sua perca, e o valor daquilo que perdeu; e em qual estado ele passou a existir. Desde então, foi dito, “e sereis como D’us [Elokim], conhecedores do Bem e do Mal...” {Bereshit 3:5} e não, “conhecedores do certo e do errado”; ou “conhecedores da verdade e da mentira”.
Com relação ao que é geralmente aceito, não existe necessariamente “bem” ou “mal” nenhum; mas apenas “Certo” e “Errado”.
Reflita na declaração, “E os olhos de ambos foram abertos, e souberam que estavam nus...” {Bereshit 3:7} – Não está sendo dito, “os olhos de ambos foram abertos e eles viram...”. Pois o que eles viram antes era exatamente o que viam agora. E não havia nenhuma cobertura ou membrana em seus olhos que agora estaria sendo removida; mas ao invés disso, eles entraram num outro estado de ser, no qual ele considerou as coisas “más”, e ele não tinha visto [as coisas] sob este aspecto antes.
Saiba, além disso, que esta expressão, “... os olhos... foram abertos...” refere-se apenas à descoberta mental, e de forma alguma se aplica à circunstância na qual o sentido da visão havia sido adquirido ou recobrado recentemente.
Do mesmo modo, “E abrir-se-ão os olhos dos cegos e desobstruir-se-ão os ouvidos dos surdos...” {Ieshaiáhu 35:5} – “Vês muitas coisas, mas não as enxergas; tens os ouvidos abertos, porém não escutas...” {Ieshaiáhu 42:20}, são versículos análogos à declaração, “Tu estás perto de suas bocas, mas distantes de seus pensamentos...” {Ieheskél 12:2}.
Agora, com relação à declaração que se refere a Adam – “... Tu modificas seu semblante e o dispensa [da Tua face]...” {Ióv 14:20} a interpretação e explicação deste versículo é a seguinte:
Quando a direção para qual o homem deve seguir é mudada, ele se desvia. Pois o termo hebraico [usado neste verso] פנים Panim (face) é um termo derivado do verbo לפנות Lepanot (virar), desde que o homem vira sua face para a coisa que deseja focar seu objetivo. O verso então declara que, do mesmo modo, quando o homem muda a direção que deveria seguir, para algo que queira focar sua atenção; sendo isso a própria coisa que o Mandamento lhe proibiu, ele então foi “lançado foram do Jardim do Éden”.
Esta foi a punição correspondente à sua desobediência, medida por medida.
Foi lhe dada permissão para comer de todas as boas coisas que desfrutar de paz e tranqüilidade. Quando, entretanto; como dissemos, ele se tornou ávido, seguindo os prazeres que imaginou existir; e comeu daquilo que lhe havia sido proibido, ele foi desprovido de tudo e passou a ter que comer dos tipos de comida, menos significantes; os quais ele jamais usou como alimento antes – e mesmo isso, apenas após [sofrer do] trabalho duro. Como está dito, “... e comerás a erva do campo. Com o suor do teu rosto...” {Bereshit 3:18, 19}. Isto explica o que foi dito, “E o ETERNO D’us, enviou-o do jardim do Éden – de onde havia sido tomado – para cultivar a terra...” {Bereshit 3:23}. E D’us o diminuiu, com relação à sua alimentação, e na maioria das circunstâncias; ao nível dos animais. É de acordo com isso é dito, “... e comerás a erva do campo...” {Bereshit 3:18}. E também é dito em explicação a este relato, “Porém o homem, com toda sua riqueza, não persiste; pois como qualquer ser vivo [como qualquer animal que não pode se comunicar], é mortal” {Tehilim 49:13}.
Louvado seja o MESTRE Onivolente, cuja totalidade dos Intentos e Sabedoria não podem ser compreendidos!
Extraído do site: http://www.bneinoahdobrasil.com.br/
terça-feira, 24 de junho de 2008
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